7 meses.. 20 dias.. Se me perguntarem, até a hora eu sei.. Infelizmente até a hora eu sei..
Primeiro Natal sem meu irmão.. Não estou triste.. Também não estou alegre.. Uma boa definição de mim agora seria uma caixa vazia.. Melhor ainda.. Uma caixa com alguma coisa FALTANDO.. Você faz falta Matheus.
Escrevo isso hoje, impulsionado por 2 outros emails que eu reli recentemente.. Um que o Cabeça (Gabriel, meu outro irmão pra quem dificilmente não conhece) escreveu quando completamos 2 meses sem o Maza.. e outro escrito pelo próprio Maza.. Que ele escreveu pra sua ex-namorada, Maria Camila..
Tantas alegrias, tantas festas, tantas risadas, tantas brigas, tantos abraços, tantas lutas, tantos conselhos, tantas viagens, tantas histórias.. Tanto amor.. Foi o bastante? Não sei se foi.. sinto que não.. sinto que faltou muita coisa para a gente aproveitar junto, ao mesmo tempo que não falta mais nada. Tantas vezes precisei de você e sem perceber você estava lá.. Tantas vezes precisei dele desde de sua partida.. e só assim para eu perceber o quanto você estava, está e sempre estará comigo.
Matheus foi a prova viva de uma pessoa que nunca deixou nada para depois.. Nenhum amor, nenhuma briga, nenhum carinho, nenhuma dúvida.. Tenho certeza de que até o último momento.. Ele sabia o que estava fazendo e o que deveria fazer.. Ele sabia tudo que dependia dele.. Nós é quem não sabíamos.. Seu coração enorme infelizmente tinha limite.. Um limite pra tamanha bondade, tamanha amizade, tamanho amor que ele tinha pela vida, e por todos que faziam parte dela.. E quis Deus que ao invés de fazer ele deixar alguém de fora de seu coração, chamou-o aos céus, onde os limites da carne não mais existem.. Onde ele teria poder de cuidar de todos nós.. Como sempre fez..
Matheus nos ensinou tantas e tantas coisas.. para cada um de nós.. de uma maneira diferente.. Pois ele era diferente.. Sentimos sua falta.. Claro que sim.. Mas ele está ao nosso lado agora mesmo.. nos iluminando e suspirando em nossos ouvidos.. “Estou aqui.. e estou bem.. Porque você fica chorando, se eu estou feliz?”
Não tenho medo de dizer que o céu foi um antes do meu irmão.. e já é outro agora que ele está lá.. É verdade.. Os bons morrem jovens.. Deus não agüenta esperar.. E quem somos nós para ir contra essa vontade?
“Vida breve Natureza, quem mandou, coração? Um vento passou dentro de ti que não teve jeito de segurar. A vida passou para te carregar, preciso aprender os mistérios do mundo e você, mais uma vez, a me ensinar...” (Cabeça – 05/07/2004)
Todos os dias de algum jeito eu lembro do meu irmão Matheus.. Das mais diversas maneiras possíveis.. Não tínhamos o mesmo afeto que tinha ele com meus pais e o Cabeça.. Mas tínhamos o nosso jeito de se entender.. Eu sou carrancudo.. Dificilmente eu mostro meus sentimentos.. Ele sabia disso.. E sabia respeitar.. Sabia entender.. Afinal, ele era meu irmão. Sinto sua falta Maza.. Olhe nossos pais aí de cima.. As vezes parece que eles estão mais tristes do que deviam.. Cuide do Cabeça nas maluquices dele.. Em Ouro Preto.. Em Campinas.. Você sabe como ele é.. Peça para Deus abençoar todos os meus amigos, que me deram e me dão toda a força que eu preciso para seguir em frente.. Daquele jeito, que você me ensinou..
Não temo mais a morte.. Do outro lado dela.. Está você..
Com amor..
Lucano.
Escrito por Nanoc às 20h32
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Eu vou voltar a escrever.. Eu prometo..
Só deixa eu conseguir tirar todos aqueles homenzinhos verdes do meu quarto.. porque eles não me deixam dormir de noite..
Pois é.. eu voltei a dormir..
Mas vamos pensar positivamente: eles podiam ser uma bandinha.. e meu quarto a sala de ensaios.. já pensou?
Escrito por Nanoc às 22h35
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Estou vivo.
Mas as vezes parece que não.
Escrito por Nanoc às 23h20
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Tinha resolvido.. Seria naquele dia..
Tinha estudado todas as possibilidades.. Tinha revisto todos os possíveis problemas.. Tinha se assegurado de ter tomado todas as providências.. Seu plano daria certo.. E ele sairia de lá vitorioso..
Não tinha contado a ninguém o que iria fazer.. Trabalhos grandes assim.. Ou ficam na memória, ou viram assunto só depois de concluídos.. E convenhamos, um banco é grande..
Preparou a sua mochila.. Se arrumou.. Deu 2 voltas no quarteirão da agência antes de resolver estacionar o carro e entrar.. E quando entrou.. Sentiu que o mundo inteiro parou para olhá-lo.. Fraquejou.. Deu um passo para trás.. Pensou em desistir.. Não.. Agora iria até o fim com aquilo.
Pensou em quantas vezes viu aquilo sendo feito.. Na TV, na vida real.. Não parecia difícil, se fosse bem executado.. Era só planejar.. E cuidar dos detalhes.. Sempre a resposta está nos detalhes.. E era um ótimo detalhista.
Passou pela porta detectora de metais.. Ela disparou.. Maldito celular e chave do carro, pensou colocando ambos na caixinha do lado.. Ao tentar passar de novo.. Aquele apito infernal tocou de novo.. Tudo para ajudar em seu nervosismo.. O segurança veio.. Pediu pra abrir a bolsa..
Nessa hora realmente.. O mundo parou para olhar pra ele.. Enquanto tirava gentilmente aquela faca de dentro da mochila.. Uma senhora gritou.. Um rapaz pulou pra cima dele.. Enquanto o segurança sacava a arma e preparava as algemas..
Enquanto era preso.. Pensou que nunca mais iria levar uma faca para descascar a maçã que sempre comia de lanche na faculdade.. Maldita frescura de não gostar da casca..
E não conseguiu abrir a conta no banco.. E agora nem queria mais.
Escrito por Nanoc às 23h31
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Seu mundo era vermelho.
Estava de vermelho.. Ela também estava de vermelho.. Uma pena.. Ela fica linda de azul.. Azul royal.. E módestia a parte, prefere a si mesmo de preto.. Mas se era vermelho hoje, o que se podia fazer?
Vermelho.. Sangue.. Claro.. Que outra comparação seria esperada de uma mente pseudo-pertubada como a sua? Aliás.. Pseudo-pertubada? Que diabos!?!
Pensou no nascimento do filho.. Pensou que queria ter um filho.. Olhou para ela.. Linda.. O pequeno teria que puxar sua beleza.. Ou a pequena, porque não? Fantasiou brincadeiras de crianças.. Fantasiou chegando em casa do trabalho e sendo recebido pelas mulheres de sua vida..
Pensou nas declarações de amor que já fez.. As que importam são as que deixou de fazer. Não que é não cumpriu certas promessas, apenas não as cumpriu, ainda.. Será que isso vale?
Promessas.. O inferno está cheio delas e de más intenções. Inferno.. O inferno é vermelho.
Pensou no dia do casamento.. Será que ia chorar? Em seus pensamentos sempre chorava.. Iria ela borrar a maquiagem também? Dúvidas.. Pensou na declaração que faria.. Pensou na troca de alianças.. Pensou nos pais.. Pensou no carro em que sairia da igreja..
Falando em carro.. O de trás buzina forte.. O sinal já tinha aberto faz tempo.. E agora seu mundo era verde.
Escrito por Nanoc às 22h04
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1 minuto
O que você consegue fazer em 1 minuto? Quanta coisa você consegue dizer em 1 minuto? Quantas pessoas consegue conhecer? Quantas coisas consegue ver? Quantas paixões consegue encontrar? O que você diria para a pessoa que ama, em 1 minuto?
Em um minuto.. Diria que não estou com saudades.. Diria que não sinto tanto assim a sua falta.. Diria que não estou perdendo o sono por causa dela.. Diria que não estou triste..
Diria que não estou chorando sobre fotos antigas.. Diria que não estou relendo todas as cartas velhas.. Diria que não andei visitando os lugares onde estivemos juntos tantas vezes.. Diria que não sinto falta do carinho, do cafuné, do apoio.. Não sinto falta da compania.
Diria que sou um mentiroso.
Na verdade, seria preciso mais de 1 minuto. Iria querer me desculpar pelas coisas que disse.. Iria querer perdão pelas coisas que não disse.. Pelo que fiz.. Pelo que deixei de fazer..
Ia falar sobre os desejos, os medos, os sonhos que deixei pra trás e os que eu ainda quero ver realizados.. Ia lembrar de fatos marcantes, bons e ruins, pois a vida é feita de altos e baixos. Ia rir das palhaçadas, e ficar sério nos assuntos importantes.
Ia perder tempo falando minhas bobagens. Porque sou assim, não sou?
Um minuto seria o tempo que eu levaria só para criar coragem de olhar nos seus olhos. E olhando para eles ficaria todo o tempo do mundo.
Mas só tenho um minuto.
Na verdade agora.. tenho só 2 segundos.. Para dizer algo mais..
Te amo.
Escrito por Nanoc às 00h37
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Reclamou de ter acordado cedo.
Reclamou de a aula ter sido chata e a professora que não sabe dar aula.
Reclamou do trânsito de São Paulo.
Reclamou que a água do chuveiro não estava quente.
Reclamou porque o pedágio estava caro.
Reclamou porque choveu.
Reclamou que estava com problemas no email.
Reclamou que estava sem sono para ir dormir.
Reclamou porque vai ter que trabalhar amanhã.
Reclamou que não teve tempo de escrever algo mais inspirador.
Reclamou que a programação da TV está uma porcaria.
Reclamou que faz tempo que não encontra certos amigos.
Reclamou porque está sem dinheiro.
Reclamou porque tem médico amanhã.
Reclamou porque teve que usar roupa social.
Reclamou dos erros constantes da página do Orkut.
Reclamou da falta de espaço para comentários no flog do amigo.
Não agradeceu por estar vivo.
Escrito por Nanoc às 22h11
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Há duas noites, seus fantasmas do passado aparecem de madrugada para assombrá-lo.. E estão fazendo seu serviço muito bem.. As olheiras e o sono constante durante o dia são prova disso.. Mas não pretende voltar a tomar aquele maldito remédio de novo.. Não mesmo..
Coisas que falou e fez.. Mas principalmente coisas que não falou e deixou de fazer.. Isso é o que mais o artomenta.. Como se não bastasse, sente-se indefeso, frágil.. Sem respostas..
Ficou sabendo com tristeza da perda do filhote da amiga coruja, que mora no telhado vizinho.. Agora entendia porque deixou de ouvir seu piado feliz.. As noites olhando pela janela não serão mais as mesmas.. Mas elas nunca foram as mesmas.. O sentimento é que era o mesmo.. O sentimento é que é sempre o mesmo.. As noites sempre mudam.. Um dia sofre-se mais.. Outro dia sofre-se menos.. Outros dias, não sofre-se nada.. Risadas são dadas num dia.. Lágrimas são derramadas no outro.. Tudo muda sempre..
Não pode chover o tempo todo..
E oras bolas, vai-se o filhote da coruja.. Fica-se o filhote da gata.. Pra que lamentar sobre tudo?
Escrito por Nanoc às 22h09
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Resolveu sair de casa.. Andar um pouco pela noite.. Nada de carro, dessa vez, suas pernas o levariam até onde não pudesse mais aguentar.. Uma chuva fina caía.. Tentou se lembrar da última vez que saiu para andar na chuva.. Não conseguiu..
Cada passo que dava, pensava, estava chegando mais perto de algo, ao mesmo tempo que se afastava de algo.. Ora bolas, não é sempre assim? Sentia-se feliz por conseguir andar somente pensando em coisas boas.. Na verdade, pareciam mais possibilidades boas.. Mas era boas, enfim, e coisas boas são sempre bem vindas..
Perguntou se andava realmente sem rumo.. Quando caiu em si e viu a direção que estava tomando.. Andava para lá.. Em busca de resposta.. Parou.. Olhou para cima.. Deixando a chuva escorrer pelo seu rosto.. Sentia as "lágrimas da chuva" escorrendo pelo seu rosto.. Sentiu-se feliz pela sensação de poder chorar de novo..
Começou a caminhar de volta para casa.. Mais uma vez, chegando perto de um lugar, indo para longe de alguém.. Na porta de casa.. Olhou para trás, na certeza de que alguém o seguia.. Não viu ninguém.. Sentiu um calafrio subir pela espinha.. Sabia que não estava sozinho.. Sorriu..
Vale a pena andar.. Andar sem saber qual o final do caminho.. Mas sabendo que o caminho tem um objetivo..

Escrito por Nanoc às 22h22
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Sentiu que ia dormir como um anjo.. Não acreditou quando ouviu o telefone, que uma força maior fez com que ele não desligasse, tocando em cima do baú..
Pode ser que tudo se acerte.. Pode ser que nada aconteça.. Pode ser que se realize.. Pode ser que sofra.. Mas isso seria amanhã.. E só sabe pensar no agora.. E no agora.. Sentia que ia dormir como um anjo..
Percebeu nuvens de chuva se formando na noite escura.. Percebeu que o dia de amanhã seria chuvoso.. Típico, não?
Mas quem sabe.. O céu pode se abrir.
Escrito por Nanoc às 00h07
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Já havia alguns dias que tinha desmontado o beliche.. Dormir no chão todas as noites estava começando a fazer mal para suas costas.. E tudo de que não precisa agora.. Era mais um mal para si..
Lembrou-se do sentimento de prisão.. Do vislumbre do estrado da cama como barras de uma prisão.. Imaginou o quão verdadeira seriam as histórias de que o corpo é só um casulo.. Uma "prisão" para a alma que é maior.. Pensou no sentimento de liberdade.. Pensou no porque queria ser cremado.. Não aguentaria ser preso em um caixão..
Lógico que isso levou a outros pensamentos.. A estupidez humana é incrível.. Ainda mais consigo mesmo.. Chacoalhou a cabeça e resolveu não pensar mais nisso..
Colocou mais uma vez essa noite, na balança, todos os seus atos, pensamento, feitos, falas, ações, enfim, tudo que podia se lembrar, dos últimos meses.. Mais erros do que acertos.. Conclusão triste.. Mas, previsível.. Não é sempre assim? Deixou escapar um suspiro demorado..
Engraçado como sente-se falta daquilo que deixou pra trás.. Saiu em procura de liberdade.. Mas acabou preso em sua própria solidão.. Achava que se entendia.. Mas deixou para trás quem o ajudava a se fazer entender..
Ama tanto a liberdade.. Mas não sabe que não se conquista nada sozinho.. Agora só refaz seus passos.. Tentando começar de novo.. Ou será tentando voltar atrás..
Liberdade.. Uma simples palavra.. Difícil de entender..

Escrito por Nanoc às 23h09
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Desejo (Vitor Hugo)
Desejo primeiro, que você ame, e que amando, também seja amado. E que se não for, seja breve em esquecer e esquecendo não guarde mágoa.
Desejo pois, que não seja assim, mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos, que mesmo maus e inconseqüentes, sejam corajosos e fieis, e que em pelo menos num deles você possa confiar sem duvidar. E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, Nem muitos, nem poucos, mas na medida exata para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas. E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo pois que você seja útil, mas não insubstituível. E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante; Não com os que erram pouco, mas com os que erram muito e irremediavelmente e que fazendo bom uso dessa tolerância, você sirva de exemplo ao outros.
Desejo que você sendo jovem não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer e que sendo velho não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e é preciso deixar que eles escorram por entre nos.
Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom; o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes, que estão a sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato, alimente um cuco, e ouça o João-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal; porque assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente, por mais minúscula que seja, e acompanhe o seu crescimento, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma arvore.
Desejo outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático. E que pelo menos uma vez por ano coloque um pouco dele na sua frente e diga "Isso é meu", Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum dos seus afetos morra, por ele e por você, mas que se morrer, você possa chorar sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo um homem, tenha uma boa mulher, e que sendo uma mulher, tenha um bom homem e que se amem hoje, amanhã e no dia seguinte, e quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer, não tenho nada mais a te desejar.
Escrito por Nanoc às 22h17
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Não era o mundo que está errado.. Era sua visão do mundo que não era correta.. E agora.. Torcia apenas para que não fosse tarde demais para ter percebido isso..
Sentiu medo.. Ao lembrar que só quando estivesse morto não teria tempo para mais nada.. E ainda mais, lembrou que infelizmente a morte pode estar (e está) presente no próximo segundo.. Mas resolveu que isso não devia lhe causar mais medo.. Sabia que era uma verdade, e que por mais que tentasse, nada que pudesse fazer mudaria isso.. E resolveu seguir em frente..
Vento forte lá fora.. Pensou em sua amiga noturna.. Estaria a pequena coruja bem? Sim, estaria.. Ela veria o dia nascer, se essa fosse a vontade da força maior que rege nossa vida na terra.. Assim como a sua própria.. Boa noite, pequena coruja.
Remexeu nos livros na cabeceira da cama.. Observou que nos últimos 6 meses, havia lido todos os livros que tinha em seu quarto.. 6 livros.. Autores diferentes.. Estranho.. Não se lembrava de nenhum deles..
6 meses.. Sim.. Já faziam 6 meses.. Cruzou as mãos atrás da cabeça.. Respirou fundo.. Tentou passar pela sua mente tudo que havia ocorrido nesse meio ano que passou desde aquele dia.. Só conseguia se lembrar de que não dormia direito desde então.. E não se lembrou de ter chorado também..
Afinal.. quem pensa em ter chorado ou não?
Apagou a luz.. Foi dormir.. Sem sono.. Sem inspiração.. Sem medo.. Sem respostas..
Com saudades..
Escrito por Nanoc às 23h54
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Ao puxar com força e um pouco de ódio, porque não, o pôster da parede.. Tirou um pedaço da tinta junto.. Agora aquela marca irá para sempre ficar ali.. Como uma cicatriz de algo que não foi bom ou que assustou sua noite um dia..
Cicatrizes.. Marcas.. Lembranças.. Está tudo ligado.. Está tudo fadado a acontecer do mesmo jeito sempre.. Se não tentar fazer de outro.. E a vontade de tentar? E a força para tentar? E o porque de tentar? Contraditório.. Aquele parecia que ia ser um dia contraditório..
Dormiu rápido nessa noite.. Não pensou nem em olhar debaixo da cama.. Não pensou em olhar para a escuridão do teto.. Não pensou em dormir com a janela aberta.. Não pensou nos seus pesadelos.. Apenas resolveu encostar a cabeça no travesseiro, fechar os olhos e esperar o sono chegar.. E não é que chegou?
Soluções simples..
Ao acordar no meio da noite.. Acendeu a luz e viu a cicatriz na parede.. Sentou-se em sua escrivaninha e começou a rascunhar textos que refletissem todo mal que já havia causado a algo ou alguém.. E em todo o mal que já haviam lhe causado.. Desistiu logo.. Não havia folhas em branco suficiente ali por perto..
Meditou olhando pela janela.. E percebeu o quanto era difícil realmente esquecer algumas coisas que o marcaram.. Pensou se era porque as marcas eram boas.. Se porque elas eram ruins.. Ou se porque quem ou o que as causou ainda não devia ter saído de sua vida.. Achando estranho.. Se surpreendeu acordando sentado na cadeira.. O sol queimando os dedos dos pés.. Parecia que fazia séculos que não era acordado pelo Sol.. E fazia mesmo.. E se assustou..
Se levantou.. Desceu.. Vasculhou o quarto de tranqueiras no fundo da casa.. Voltou com uma lata de tinta e um pincel.. E pôs-se a pintar a parede..
Escrito por Nanoc às 23h39
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Noite chuvosa.. Relâmpagos..
Porque sempre é uma noite de chuva com relâmpagos quando os seus medos internos resolvem assombá-lo novamente? Foi deitar com esse pensamento.. Era cedo.. Não era nem amanhã ainda.. Mas resolveu que gostaria de ficar rolando na cama..
Naquele silêncio que antecede o clique na luz.. Olhando para o teto.. Resolveu antes de mais nada olhar embaixo da cama.. Afinal.. Era ali que moravam todos os seus monstros.. E não era demais conferir se eles estavam todos quietinhos..
Apagou a luz.. e encostou a cabeça no travesseiro.. Não saberia dizer quanto tempo ficou olhando para o teto no escuro.. Até que um relâmpago um pouco mais forte iluminou o quarto.. E fez com que ele percebesse algo com o canto do olho..
Havia alguém parado ali..
O grito ficou preso em sua garganta tamanho foi o susto.. E algo em seu inconsciente lhe disse que era melhor não acender a luz.. E ficou ali.. Encarando o ser estranho em seu quarto.. Visível apenas nos relâmpagos.. Mas real.. Ali.. Encarando-o de volta..
Aquilo, fosse o que fosse.. Falava.. E falava continuamente.. Uma língua estranha.. De uma forma estranha.. Mas que parecia importante.. Direto.. Sério.. Pelo menos permanecia imóvel.. O que não diminuía a aflição de seu corpo protegido apenas pelo seu cobertor..
Aquela fala calma.. Que parecia passar do ar direto para sua cabeça, sem sequer perder tempo passando pelos ouvidos.. O hipnotizou.. Deixou-o com medo.. Com alegria.. Com vontade de rir.. Com vontade de chorar.. Chorar!! Há quanto tempo isso nem sequer passava perto de acontecer.. E foi ficando com sono.. Mais sono.. Cada vez mais sono..
E acabou dormindo.. Sem sonhos.. Sem pensamentos.. Sem preocupações.. Ninado por aquela voz, daquele ser intruso em seu reduto noturno.. Dormiu..
No dia seguinte.. Prometeu duas coisas.. Não tomar 2 comprimidos de seu remédio nunca mais.. E tirar aquele maldito pôster da parede..
Escrito por Nanoc às 22h50
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Eram 11 horas da noite, quando descobriu que realmente se tratava da meia-noite.. Passou o dia tão afundado em pensamentos que não viu o horário de verão começar.. Realmente a vida está se tornando cada vez mais difícil..
Só agora percebe que ao acordar as 3 da manhã (sim, os sonhos voltaram) estava na verdade encarando as 4 horas do dia que nascia.. O relógio não comanda a mente.. Isso deu pra notar..
Mas uma coisa o confundiu essa madrugada.. Acordou não com medo.. Mas com o coração batendo forte.. A boca seca.. A pele quente.. Arrepiado.. Não teve pesadelo.. Não.. Finalmente tinha tido um sonho.. Como desejara na noite anterior.. Tomando o último gole de cerveja..
Não se lembrava de nada do sonho.. Apenas tinha a certeza de ter sido bom.. Uma sensação de alívio foi o que sentiu levantando-se da cama, para abrir a janela e contemplar a madrugada..
Uma coruja olhava-o espantada.. Pousada na antena da casa vizinha.. A amiga noturna parece que não esperava alguém ali, a observá-la.. Abriu suas asas e voou.. Para longe, mas não antes de passar próximo a janela.. Como se dizendo olá ou se certificando de que estava tudo bem para ela partir.. Como uma criança.. Levantou a mão acenando para a partida dela.. Admirado..
Olhou as estrelas.. O céu estava limpo.. Nenhuma nuvem.. Os astros brilhavam forte.. Maravilhosos.. Fez uma promessa silenciosa de voltar a estudar um pouco de astronomia, para voltar a entender um pouco mais sobre os verdadeiros donos da noite.. Se divertiu por um tempo, tentando localizar constelações que julgava conhecer..
A paz pareceu voltar a cobrir seu coração.. E desejos ruins lhe sumiram da cabeça.. Uma força invisível tomou conta de suas idéias e lembranças, fazendo-o sentir-se como novo.. Fechando a janela.. Mandou um beijo silencioso para o mundo.. Desejando bom final de noite..
Ao se virar rumo o andar de baixo para beber água.. Bateu o dedinho no pé da cama.. Bom, nem tudo podia ser perfeito..
Escrito por Nanoc às 22h52
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Abriu a janela de seu quarto.. E sentou nela.. Coisa que não fazia há mais de 5 anos.. Isso era costumeiro quando se mudou para aquela casa.. Mais um costume que caiu na mesmisse e por fim no esquecimento..
Acendeu um cigarro, para acompanhar a cerveja que resolveu tomar.. Para o diabo com os remédios, para o diabo com a saúde.. Pelo menos naquela noite quente.. Em que resolveu sentar na janela..
Olhou para o céu.. Fazia tempo que não encarava suas estrelas amigas daquele jeito.. Sentiu-se pequeno.. Sentiu-se sozinho.. Sentiu falta de alguém.. Pensou se alguém sentia falta dele.. Deixou esse pensamento de lado.. Para depois..
Lembrou do passado.. E acabou pensando no futuro.. Duas das coisas que já jurou mais de uma vez nunca mais fazer.. Mas alguns hábitos são difíceis de serem mudados.. Pensou no agora.. E percebeu que não ia ficar muito feliz com aquilo..
Como aquela noite era dele.. Resolveu acender outro cigarro.. E assim o fez, satisfeito.. Pensou que era mais fácil meter uma bala na cabeça do que se matar aos poucos com aquele vício horrível.. Mas ponderou e utilizou a filosofia do "foda-se" que há tanto tempo também deixou infelizmente para trás.. Amanhã pararia de fumar de novo.. Afinal, só fuma as vezes..
Observou um avião lá no alto.. 33 mil pés.. 900 km/h.. Lembrou mais uma vez do passado.. Não tão longe assim.. E afastou o pensamento da memória.. Não adianta ficar se remoendo com isso.. Não mais.. Não hoje..
Terminou a cerveja.. Guardou o maço de cigarros.. E resolveu dormir com a janela aberta aquela noite.. Porque não? Dormiu olhando as estrelas, embora atrapalhado pelas luzes da cidade.. A brisa suave do cheiro da noite invadia seu quarto.. Trazendo lembranças com ele..
Egoistamente.. Desejou ter um bom sonho naquela noite.. Pelo menos naquela noite..
No dia seguinte.. Acordou com febre e o nariz escorrendo.. Mas valeu a pena..
Escrito por Nanoc às 23h30
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Depois do estranho sonho da noite anterior resolveu dormir na parte de baixo do beliche..
Olhar para cima e ver o estrado da cama dava-lhe a estranha sensação de barras de uma prisão.. Sentiu-se sufocado.. Longe da calma que o teto branco de seu quarto lhe garantia antes do sono.. Mas enfim, não queria mais cair de lá de cima..
Virou de um lado para o outro a noite inteira.. Mal conseguiu dormir.. Aquela não era a sua cama.. Não era o seu colchão.. Não era o seu refúgio de todas as noites solitárias.. Mas ele não queria voltar lá pra cima..
Esticou o lençol no chão.. Pelo menos o chão não era nada de sua cama.. Seria como dormir fora de casa.. Nada de mais.. Nada do medo de cair de lá de cima.. Nada de barras de prisão na sua vista.. Nada de achar que a sua cama não era aquela..
Apenas estava em outro lugar.. Pensando em outras coisas.. Tentando se adaptar, como era tão bom em fazer antigamente..
Conseguiu dormir.. Sentindo-se abraçado.. Esquentado.. Guardado..
E acordou feliz.. Tendo certeza de que as vezes, as melhores soluções são realmente as mais simples.

Escrito por Nanoc às 22h46
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Olhando pela janela do quarto.. Após a costumeira falta de sono.. Observou o mundo lá fora com o mesmo entusiasmo com que vem tocando os dias ultimamente.. Nenhum..
Correria.. Pressa.. Falta de Amor.. Ódio.. Brigas.. Guerra.. Violência.. Morte..
Quem se entusiasmaria com isso?
Quem só enxerga isso?
Sentou no beiral da janela.. Respirou fundo.. Inclinou o corpo pra frente..
32 andares.. Não demoraria nada.. Nem desmaiaria pelo caminho.. Inclinou-se um pouco mais.. Falta pouco agora..
Olhou para o céu estrelado.. Como um último adeus.. E como um aviso de que está chegando.. Despediu-se mentalmente de todos que julgava gostar.. Amar.. Admirar..
E pulou..
Na manhã seguinte quando acordou.. Com um galo enorme na cabeça.. Percebeu que nunca mais dormiria na parte de cima do beliche..
Escrito por Nanoc às 23h41
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Vai com Deus Serginho..
Meu irmão já está lá..
Maza.. Te amo cara.. Sempre.. Você faz falta aqui.. Só a gente sabe o quanto.. Desculpa meus momentos de fraqueza.. Você sabe que as vezes eu não consigo e me esquento com facilidade.. Você sabe que as vezes eu me enfezo com qualquer coisa.. Você sabe que esse é o meu jeito.. Parece que no final.. Você era um dos poucos que sabia tudo..
E agora cara.. Quem vai saber tudo de mim.. Eu só queria uma luz.. Ou só queria rir desde lá de dentro.. Não só na parte de fora.. Eu queria conseguir chorar.. Eu queria parar de sentir raiva, ira, fúria.. E só sentir saudade.. Que já é demais..
Eu acho que estou pedindo muito..
Escrito por Nanoc às 23h20
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